Bomba! Prior é acusado de ter cometido dois estupros e uma tentativa de estrupo, diz revista; assessoria do ex-brother nega
No Twitter, a hashtag "#PriorEstrupador" já é um dos assuntos mais comentados do Twitter.

A revista Marie Claire divulgou nesta sexta-feira, 3, relatos de duas jovens que acusam Felipe Prior, do BBB20, de estrupo, e uma, de tentativa de estrupo. Na última terça-feira, 31 de março, ele deixou o reality show com 56,73% dos votos, em um paredão marcado por um número extraordinário de votos: 1,5 bilhão, o maior da história do programa.

Confira:

Na madrugada de 9 de agosto de 2014, Themis (aqui protegida por um pseudônimo), hoje com 27 anos, foi a uma festa que comemorava os jogos universitários das faculdades de arquitetura e urbanismo de São Paulo, chamados de InterFAU. Ao final do evento, ela e uma amiga, que chamaremos de Atena, aceitaram a carona oferecida por Felipe Antoniazzi Prior, à época aluno do curso de arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Themis disse se encontrava "bastante alterada" na ocasião, pois havia consumido bebida alcoólica. Segundo ela, Felipe teria deixado Atena em casa e minutos depois parado o carro na rua e desligado o motor. Neste momento, teria se lançado sobre Themis e começado a beijá-la, passando a mão pelo seu corpo. Em seguida, a arrastou para o banco de trás do veículo.

A Marie Claire teve acesso a um depoimento da vítima acima, que disse que Prior tirou a roupa dela abriu a própria calça, deixando a genital para fora. A vítima falou "não" para o arquiteto várias vezes, deixando bem claro que não queria ter uma relação sexual com ele. 

Prior teria gritado com ela: "para de ser fresca, no fundo você quer, não é hora de se fazer de difícil". Ele ainda teria dito: "quer sim", e então o estrupo tria acontecido.

Segundo Themis, a violência causada no ato causou uma laceração em lábio vaginal esquerdo, o que fez com que ela ficasse ensanguentada. Ele chorou de dor. Para ela, isso teria feito Felipe parar. "Como a quantidade de sangue era grande, ele perguntou se ela queria ser levada ao hospital. Themis respondeu que queria ir para casa e "mais nada". Felipe assentiu, seguiu viagem, a deixou no portão de sua residência e foi embora", diz a revista.

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"Naquela mesma madrugada, Themis foi ao hospital, acompanhada da mãe que pediu para ver o ferimento e notou "um corte de cerca de três dedos de comprimento na região genital, profundo o suficiente para chegar até o músculo", como consta no documento. Precisou vestir uma fralda geriátrica para conter o sangramento e à mãe não quis dar detalhes do acontecido."

Já no hospital, Themis, foi atendida por três médicas e escondeu para elas, o que tinha acontecido. Uma das médicas acabou perguntando "quem que fez isso?", e Themis respondeu dizendo que foi o namorado. Ela precisou de ajuda até para ir ao banheiro e andar, além de passar uma semana de cama.

"Diz que teve dificuldade de abordar o estupro nas tentativas de começar um tratamento psicoterápico. Conta ainda que cerca de um ano após o estupro, passou a vivenciar crises de pânico, e precisava de apoio para ir e voltar do trabalho, tinha crises de choro no meio da rua e não conseguia sair do lugar. Em vários desses momentos, tinha flashes do estupro."

Pelo telefone, Themis disse para a Marie Claire: "Tudo para mim se resume a uma grande agonia no peito". Ela ainda diz: "Simplesmente coloquei a violência que sofri debaixo do tapete por seis anos. Achei que não lidando com ela, sumiria em mim. Atrasei dois anos da minha faculdade por causa do estupro. Tranquei todas as matérias do curso porque vê-lo todos dias era torturante. Ele é um cara impulsivo, agressivo. O que mostrou no BBB não chega perto do que é na vida real. Tenho medo do que pode fazer, mesmo diante de uma acusação formal, com advogada e tudo. Mas não posso mais guardar esse mal para mim".

Ainda de acordo com o documento de a revista teve acesso, durante os jogos InterFAU de 2016, no município de Biritiba Mirim, Felipe teria praticado o crime de tentativa de estupro contra a estudante uma estudante, chamada pelo pseudônimo, Freya, hoje com 24 anos. 

"Segundo depoimento dela, ele se aproveitou de seu estado de embriaguez e a persuadiu a ingressar em sua barraca no camping dos jogos universitários após abordá-la em uma festa. Na barraca, aconteceram as tentativas de estupro - ela relata que Felipe tentou penetrá-la no ânus, por duas vezes, e diante da negativa a conteve fisicamente usando de sua força."

Ela relata que o estrupo só não aconteceu mesmo porque ela emburrou Prior usando os braços e pernas e conseguiu fugir dele. Freya recusou ter a relação sexual com Prior, após perceber que ele não tinha preservativo. "Mas ele insistiu usando força física", diz a revista.

Diz ainda que o estupro não foi consumado porque o empurrou usando os braços e pernas e conseguiu fugir. Apesar de ter entrado na barraca do acusado, Freya diz que quando percebeu que não havia camisinha para o sexo, se recusou veementemente a continuar a relação. Mas ele insistiu usando força física.

Por telefone, Freya contou: "Quando começou o BBB, vi um tuíte de uma garota que dizia que o Felipe tinha fama de assediador no Mackenzie. Foi quando entendi que a violência que sofri não era única. Mandei uma mensagem para garota e disse a ela que se aparecessem mais vítimas, me manifestaria. Dessa forma encontrei Themis, que me contou que além do estupro, tinha um boletim médico comprovando a laceração em seu genital".

Mais uma relato de estrupo é revelado pela Marie Claire. Desta vez, a vítima é Ísis (também sob pseudônimo), de 23 anos atualmente. O caso aconteceu no InterFAU de 2018, em Itapetininga.

De acordo com Ísis, Felipe a convidou para entrar na sua barraca, onde iniciou relações sexuais com ela de maneira consentida. No entanto, após ele passar a agir de maneira agressiva, Ísis verbalizou que queria que parar, o que não surtiu efeito. No documento que a Marie Claire conseguiu o acesso, o acusado desferiu tapas no rosto e por todo o corpo de Ísis, mesmo depois de ela dizer que estava sentindo dor e por diversas vezes que queria não queria continuar a relação.

Chegou a chorar, conta, mas ele disse diversa vezes que não a deixaria sair dali. A uma certa altura, a teria colocado deitada de barriga para baixo e se pôs sobre seu corpo, de forma que ficasse imobilizada no chão. Mesmo após terminar o ato sexual, a empurrou e puxou de forma que ela caísse sobre o colchão, fazendo com que não conseguisse se desvencilhar da situação. 

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Ísis conseguiu sair de dentro da barraca de depois chorou bastante. Duas pessoas ouviram ela chorar e pedir para que o acusado parasse. . "Uma voz feminina chorando. A voz dizia “Para, tá me machucando” e continuava chorando." Essas testemunhas sustentam a versão de Ísis no documento da acusação.

A vítima relata: "As meninas que moram comigo gostam de assistir BBB. Imagina ter que ver a cara dele todo dia?  Mas ao mesmo tempo foi importante para que eu pensasse no  passado. Eu achava que ia superar através do esquecimento. E  vê-lo na TV me despertou muitos  gatilhos e medo de me relacionar com homens".

"A maneira reiterada e habitual com que Felipe incorria nesse tipo de conduta levou à deliberação, por parte da comissão organizadora do InterFAU, do impedimento de seu acesso ao ambiente dos jogos universitários. O relato da violência sofrida por Ísis foi determinante para essa decisão", publicou a revista.

O texto continua: "O relato da violência sofrida por Ísis foi determinante para essa decisão. Segundo Maira, a advogada das vítimas, seu caso foi reportado à comissão Antiopressão do InterfFAU, sem grandes detalhes, ainda durante os jogos. Na reunião de fechamento, em outubro de 2018, foi novamente mencionado, juntamente com outros relatos de assédio por estudantes de outras faculdades, e em face disso, foi decidido que Felipe não poderia mais participar dos eventos relacionados aos jogos".

A Marie Clarie procurou a Comunicação da Rede Globo, que divulgou a seguinte nota: "A Globo é veementemente contra qualquer tipo de violência, como se percebe diariamente em seus programas jornalísticos e mesmo nas obras do entretenimento, e entende que cabe às autoridades a apuração rigorosa de denúncias como estas".

A criminalista Maira Pinheiro, advogada das vítimas, explicou como chegou nas histórias de estrupo: "Esse trabalho começou no final de janeiro, a partir da conversa com a primeira vítima. Conforme tivemos informações sobre a existência de outras, percebemos que, para que os fatos fossem relatados com a devida profundidade e complexidade, teríamos que fazer uma investigação defensiva abrangente. E assim chegamos à segunda e à terceira vítimas e às demais testemunhas. Tivemos inclusive notícia de pelo menos uma outra, que acabou preferindo não depor".

Maira explica o motivo das vítimas não terem registrados os boletins de ocorrência na ocasião dos crimes: "Precisamos entender que lidamos com vítimas reais e não ideais. Acompanhando esse tipo de caso cotidianamente, percebemos que infelizmente é comum que entre a ocorrência da violência e a decisão de denunciar, passe um certo tempo. Isso tem a ver com o tratamento revitimizador que muitas dessas mulheres recebem junto às instituições, a falta de apoio de amigos e familiares e, de maneira geral, com a cultura do estupro, que normaliza situações de violência sexual e não cultua a valorização do consentimento. Todas as vítimas relataram sentimentos de culpa após os fatos. Isso é emblemático, pois revela como, diante desse tipo de caso, o senso comum tende a focar mais numa suposta 'responsabilidade' da vítima em não ser capaz de evitar os atos do agressor".

A revista diz: "As advogadas entraram com um pedido de medidas cautelares para que Felipe fosse proibido de manter contato com as vítimas e testemunhas por qualquer meio de comunicação, inclusive por meio de terceiros e internet. A solicitação foi acolhida pela Promotoria de Justiça do Estado de São Paulo e aguarda julgamento. Como os crimes aconteceram em três cidades diferentes, a investigação poderá ser realizada por um grupo especializado do Ministério Público ou se desdobrar em até três inquéritos policiais diferentes".

Prior foi procurado para que ele comentasse sobre as acusações. O primeiro contato foi com o assessor do ex-brother feito no dia, 1º de abril. Sem resposta, a reportagem enviou o conteúdo das denúncias para o assessor, ontem, 2 de abril. O assessor respondeu: "Isso aí é mentira".

A revista insistiu em uma resposta e o assessor disse: "acho que agora não" e sem seguida, falou: "assim que eu entrar em contato com a família eu te aviso". Até a publicação da matéria, Prior e nem o assessor se manifestaram formalmente para a revista.

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