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Império: Aguinaldo Silva revela o motivo do Comendador não ter ganhado um final feliz na novela das 9
Império: Aguinaldo Silva revela o motivo do Comendador não ter ganhado um final feliz na novela das 9
"Durante muito tempo as pessoas me paravam na rua, revoltadas", disse o autor sobre o fim trágico do personagem de Alexandre Nero.

Aguinaldo Silva, autor de 'Império', que chegou ao fim na última sexta, 5, acabou revivendo uma enxurrada de críticas e de pedidos por um final alternativo da novela das 9, já que o público nunca aceitou muito bem o fato do Comendador (Alexandre Nero) ter sido morto pelo próprio filho, Zé Pedro (Caio Blat), no último capítulo da trama.

Em entrevista para a TV Globo, o autor revelou o motivo de Zé Alfredo ter entrado para a lista dos personagens que não tiveram final feliz:

"Quando estava escrevendo a penúltima semana eu pensei: Marta ou a Sweet Child? O comendador, este homem maior que a vida, ficaria satisfeito com um final feliz? Concluí que não. Para que continuasse maior que a vida na memória dos que acompanharam a novela ele teria que morrer."

Aguinaldo lembra que reexibição da trama fez ele reviver o que ele passou durante a exibição original: "Claro que, sendo o personagem adorado como era, isso me trouxe problemas. Durante muito tempo as pessoas me paravam na rua, revoltadas, para protestar: 'você matou o comendador!'. Achei que isso ia parar, mas agora, com a reapresentação da novela, começou tudo de novo".

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Para o autor, a sequência da morte de Zé Alfredo foi a mais difícil de escrever: "Só nas tragédias gregas se pode fazer isso impunemente. Toda aquela sequência que culmina com a morte dele é sombria e terrível. Mas funcionou...".

Lilia Cabral e Alexandre Nero com Aguinaldo Silva:

Lilia Cabral e Alexandre Nero com Aguinaldo Silva: (Imagem: TV Globo)

Aguinaldo também fala sobre Fabrício Melgaço. Ele diz que não sabia quem seria Fabrício Melgaço quando começou a escrever sobre o vilão:

"Em novelas acontece muito isso: você lança uma trama e joga a resolução da mesma para o futuro... Mas fica pensando numa saída para ela o tempo todo. Às vezes essa resolução aparece naturalmente. Em outras você tem que suar para chegar lá de um modo que não pareça absurdo. Mas a novela é uma obra em progresso, está no ar e por isso o autor precisa sempre saber que qualquer indecisão tem prazo de validade e os problemas existem para serem resolvidos".

Uma das últimas cenas da novela é a que Zé Alfredo aparece na janela observando toda sua família. Aguinaldo dá uma explicação para a aparição do 'homem de preto': "Eu quis dizer que, apesar de ter morrido, ele seria imortal. E foi. Como personagem, continua vivo".

Aboa recepção do público com a relação entre Zé e Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) é algo citado por Aguinaldo: "Eu temia duas coisas, que a relação do comendador com a Sweet Child fosse rejeitada por causa da pouca idade de Marina Ruy Barbosa. Isso não aconteceu. Também achava que as pessoas não iam aceitar que José Mayer fizesse um personagem gay. Essa trama também passou batida. 'Império', na verdade, foi uma dessas novelas abençoadas nas quais tudo da certo. E para que tudo dê certo é preciso que todos acreditem na história e degustem os seus desdobramentos. Quando isso acontece é mágico".

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A cena do beijo entre Marta e Zé Alfredo na reta final da trama surpreendeu o público. Aguinaldo responde se o Comendador amava a esposa: "Não tenho a menor dúvida. Ele também amava a Sweet Child. Na cabeça daquele dono do mundo, era possível se dividir entre as duas sem problemas. Claro que ele estava errado, pois o resultado foi o que se viu".

Sobre a convivência do casal, Aguinaldo diz: "Se alguém nunca viu um casal, casado há décadas, que se comporte daquela maneira, que atire a primeira pedra. Por trás daquela aparente hostilidade existe uma profunda ternura. E Lília e Nero souberam passar isso muito bem".

No fim da entrevista, foi perguntado ao autor se ele colocou muito da sua personalidade em algum personagem da novela. Ele respondeu: "Em Xana. Eu sou aquele idiota que faz o bem sem olhar a quem... E às vezes se dá muito mal".

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